sábado, 12 de junho de 2010

Nostalgia Fúnebre

Aconteceu num domingo ensolarado e vivo; estávamos distraídos brincando naquele igarapé escuro, o rio atravessava montanhas carregadas de árvores nativas, ele com o mesmo nome que eu era de uma branqueza cadavérica; éramos amigos desde muito pequeno porque morávamos numa comunidade onde todos se connheciam e se repeitavam; era meio dia, eu ja estava com fome, porém antes de ir almoçar chamei-o para o último mergulho; já estávamos com a pele enrugada e apesar do clima quente sentíamos frio porque a água era fria; ele não me respondeu, como nunca fui de insistir deixei-o para trás; até então nunca tinha sentido a possibilidade iminente de morte como senti naquele dia, fui levado pelas águas como se houvesse um redemoinho me sugando, ingeri muita água no desespero de me salvar, até que segurei os cipós das árvores que beiravam o rio e consegui chegar a márgem; meu coração palpitava de forma que me deixava sem fôlego, caminhei até meu ponto de partida onde meu melhor amigo Benjamim continuava imóvel do jeito que o deixei quando fui dar meu último mergulho, contei-lhe minha experiencia de quase morte, estava muito assustado porém ele continuava inexpressivo, achei-o estranho, sem rubor, inerte. Toquei-lhe o braço como forma de chamar atenção, foi quando senti que seu corpo estava gélido, corri pra chamar os adultos que entenderiam melhor o que estava se passando, soube depois que meu amigo já estava morto ha algumas horas, disseram-me que foi um ataque fulminate.