terça-feira, 22 de junho de 2010

O trágico.


A célebre frase depois de um longo dia. Estava eu distraído sentado numa sala de cinema, havia poucas pessoas ao redor, quando me foi enfiada a divina frase: "algumas pessoas já nascem predestinadas a tragédias"; aquilo bateu de frente ao meu ceticismo, a profanação atravessou meu orgulho e me fez perder mesmo que por alguns segundos o magnífico filme que se desenvolvia a frente de minha percepção,quando me encontrei ela já estava estirada no meio da estrada, imóvel, já não pertencia mais áquela existência, senti sua falta, entrei em desespero e só me restava a escolha de permanecer naquela fantasia ridícula de ser humano ou me deixar levar por aquela insanidade absurda; assim o fiz, analisei o absurdo e percebi que nele havia algo coeso e que fazia sentido, pronto! Havia racionalidade pensar que a minha não existencia iria interferir de alguma forma na tragédia de todos em volta, e que na verdade a divina frase foi proferida a mim, pra eu digeri-la, aquela tragédia era minha, eu era a trajédia de todos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pelo submundo da Biologia


Antes de ir a faculdade, revisando um trabalho, por um acaso presenciei um diálogo de uma das novelas da Globo; não me recordo bem o nome, os pais tentavam convencer a filha a se casar e ter filhos, a velha fórmula da globo de reproduzir o "adequado" padrão de felicidade - pensei comigo mesmo. Mas não parou por aí o pior estava por vir, do clichê mais idiota da novela, o pai como forma de compensar a ausência do filho procura uma barriga de aluguel para injetar o esperma do filho morto, nessa procura incessante ele vomita a seguinte pérola:"nao sei qual a procedência da familia dessa moça nao sei que tipo de gene recessivo ela carrega." Não sei porque ainda fico chocado. Mandei a Tv ir tomar no ..

sábado, 12 de junho de 2010

Nostalgia Fúnebre

Aconteceu num domingo ensolarado e vivo; estávamos distraídos brincando naquele igarapé escuro, o rio atravessava montanhas carregadas de árvores nativas, ele com o mesmo nome que eu era de uma branqueza cadavérica; éramos amigos desde muito pequeno porque morávamos numa comunidade onde todos se connheciam e se repeitavam; era meio dia, eu ja estava com fome, porém antes de ir almoçar chamei-o para o último mergulho; já estávamos com a pele enrugada e apesar do clima quente sentíamos frio porque a água era fria; ele não me respondeu, como nunca fui de insistir deixei-o para trás; até então nunca tinha sentido a possibilidade iminente de morte como senti naquele dia, fui levado pelas águas como se houvesse um redemoinho me sugando, ingeri muita água no desespero de me salvar, até que segurei os cipós das árvores que beiravam o rio e consegui chegar a márgem; meu coração palpitava de forma que me deixava sem fôlego, caminhei até meu ponto de partida onde meu melhor amigo Benjamim continuava imóvel do jeito que o deixei quando fui dar meu último mergulho, contei-lhe minha experiencia de quase morte, estava muito assustado porém ele continuava inexpressivo, achei-o estranho, sem rubor, inerte. Toquei-lhe o braço como forma de chamar atenção, foi quando senti que seu corpo estava gélido, corri pra chamar os adultos que entenderiam melhor o que estava se passando, soube depois que meu amigo já estava morto ha algumas horas, disseram-me que foi um ataque fulminate.