Domingo 25 de outubro de 2009; morbidamente a voz de Cid Moreira anunciava mais um Fantástico da Rede Globo, lembro que nos finais dos anos 90, eu que imaturamente fui cristianizado, já preconizava o fim do mundo, sobretudo ao ouvir o pronunciamento do tão "saudoso" Cid Moreira iniciando mais uma edição do programa que desde sempre vai ao ar ás 20:30; dentre as mais pesadas aflições seria de morrer e não ter concretizado um bom casamento, tido um filho e um suado emprego seguro, sim como um bom cristão também prezava pela minha vida, pela vida dos meus parentes e amigos, dizia em pensamento que ia sentir saudades daquilo tudo e rezava todo santo dia para conhecer o paraíso, em 1999 iniciei minha eucaristia numa igreja católica da paróquia de Nossa Sra de Perpétuo Socorro, era um novo grupo de amigos, acordava aos domingos como de praxe com os gritos de minha mãe, tanto foi que não tive uma falta durante todo o período da primeira comunhão. Minhas experiências com Deus sempre foram forçadas e acalantadas de muito apelo psicológico, desde cedo me mostrei cético diante da existência divina, não por falta de sensibilidade, mas por falta de intimidade com algumas disparidades e hipocrisias, porém cumpria todas as obrigações cristãs pra manter o costume que a grande maioria de nós está sujeito; quando nascemos já nos batizam como cristãos, em qualquer cidadela desse imenso país, somos condicionados a respeitar e amar a Deus acima de todas as coisas, dos pensamentos racionais e dúvidas existencialistas somos afastados porque significa uma grande ofensa perante o criador, bem se me perguntassem aos 12 anos como o universo surgiu, diria com uma imensa tristeza que foi Deus criador de todas as coisas, dos céus e das terras o responsável! Mesmo meu ego não aceitando essa explicação, eu questionava e quanto mais questionava mais achava lacunas, a ilusão do mundo acabar era um pesadelo a cada dia que se aproximava o ano 2000, me senti na obrigação de aniquilar essa visão apocalíptica, eu me sentia apavorado, acuado. Na virada do último ano do século, meti minha cabeça entre as pernas da minha mãe e em pensamento fiz todas as orações de que tinha conhecimento. A grande descoberta quando levantei a cabeça foi que o mundo não tinha acabado não via bolas de fogo, nem bestas de duas cabeças ceifando a vida dos pecadores; o certo é que ainda hoje me causa arrepios quando me lembro do Sr Cid Moreira anunciando o inicio do semanal Fantástico, mesmo não sendo hoje tão cristão assim. Imagino que se ainda hoje aquela voz aguda de entonação forte, segura e imperativa continuasse a anunciar aquele programa, ao invés de sentir o medo de não mais existir nesse universo, sentiria hoje o peso da segunda feira se aproximando, aos 15 anos de idade foi quando pela primeira vez escarrei em palavras que não acreditava em Deus, eu tirei um peso das minhas costas e me senti leve pra fazer o bem sem motivações físicas futuras - o cristianismo era uma responsabilidade cruel demais pra mim (HaHahaHa), tenho preguiça de acreditar e seguir essa tal filosofia, o que entra em conflito comigo agora é de onde tirar esses valores, o que determina ser aquilo bom ou mal? Acho que o mundo sem esse espírito cristão seria bem mais difícil, mas acredito que as pessoas têm o direito de fazerem suas escolhas, eu faço o bem por abstração, quem determina o que é o "bem”? Meio difícil. Sei que ainda tenho dúvidas, não foi nada esclarecido!